Dilma vai a público e fala sobre manifestos
A presidente da República, Dilma Roussef, foi a público falar sobre a onda de protestos que esse espalha pelo país há uma semana. Quem esperava um discurso firme e com anuncio de medidas emergenciais que vão de encontro aos pleitos que a população reclama, se decepcionou. Em cadeia nacional de rádio e televisão, ela falou na noite desta sexta-feira (21), às 21h, sobre diversos aspectos que norteiam aos manifestos, com duras críticas ao que chama de minoria que comete abusos e que o governo está ouvindo as vozes que vem das ruas.
No discurso, Dilma afirmou que o governo não será tolerante com quem vai aos protestos para causar balbúrdia e prejuízo, destruindo bens públicos e privados com atos de violência e vandalismo. Usou o discurso da defesa dos manifestos, desde que sejam tomados por ações pacíficas.
A presidente disse, ainda, que vai convidar os prefeitos das principais cidades brasileiras nos próximos dias para apresentar um grande plano de mobilidade urbana. Milhares de médicos trazidos do exterior para atender no Sistema único de Saúde (SUS), destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação, entre outros assuntos já anunciados de forma incessante pelo governo ultimamente também fizeram coro ao discurso.
Outra promessa foi a de chamar lideranças pacificas de entidades organizadas para discutir os problemas do país. Precisamos de suas contribuições, reflexões, experiências, de sua energia, aposta no futuro e sua capacidade de ver erros, frisou.
Para a Presidente da República, é preciso oxigenar o sistema político, buscando mecanismos que permitam mais transparência nos atos. É a cidadania e não o poder econômico que deve ser ouvida em primeiro lugar. Fortalecer a lei de acesso á informação, estendendo ela a todas as esferas de poder, além de uma reforma política consistente e mecanismos de maior controle e combate à corrupção também foram citados.
Em relação à Copa do Mundo de futebol, a presidente disse que o dinheiro usado é fruto de financiamentos e que as empresas que vão explorar o mundial terão que pagar de volta. Negou que o recurso saiu do orçamento federal, buscando, em contrapartida, argumentar que o governo ampliou gastos em setores como educação e saúde.
Sobre a imagem do Brasil no mundo por conta da Copa, Dilma disse que o país sempre foi bem recebido quando disputou a competição em qualquer lugar e que precisa devolver isto aos visitantes neste momento. O futebol e o esporte símbolo de paz, de convivência pacifica entre os povos.
No final do discurso, Dilma voltou a afirmar que seu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. E voltou, também, a reforçar o tom quanto às ações do governo pata coibir manifestos que não sejam pacíficos. Quero dizer a vocês que, de forma pacificamente, estão nas ruas: estou ouvindo a vocês. E não vou transigir à violência e abusos.